Uma lição com sal

Aconteceu que um dia, certo sacerdote consultou o Venerável João de Ávila, sobre a conveniência de ter em sua casa uma empregada, visto que era de idade avançada e de semblante pouco belo. O santo lhe disse que responderia no dia seguinte e pediu ao sacerdote que ficasse hospedado em sua casa. Enquanto não começava o jantar, deu ordem a um criado para colocar uma boa dose de sal na comida e retirar toda a água de beber, deixando somente a de um recipiente desprezível onde se tinha lavado a louça. E assim se fez. À noite, enquanto todos dormiam, uma sede tremenda assaltou o hóspede, que andou por todos os cantos da cozinha à busca de água potável e, como não a encontrou, serviu-se daquela água que fora usado para lavar a louça. Pela manhã, perguntou-lhe o padre-mestre como passara a noite… e ele contou-lhe o sucedido. Então o Servo de Deus resolveu a questão, dizendo: “Visto que a natureza, quando o sal do apetite pica, não repara em ser a água limpa ou suja, não convém a vossa mercê ter uma empregada em casa, ainda que seja velha e feia.”

Oração antes das refeições

São Domingos Sávio, o jovem e santo discípulo de São João Bosco, já aos quatro anos de idade, não tinha necessidade de ser lembrado de rezar as orações da manhã e da noite, o Angelus bem como, antes e depois das refeições. Sempre que seus pais se esqueciam de rezá-las, ele tomava a iniciativa de fazê-lo.

Em certa ocasião, um visitante sentou-se à mesa sem rezar. Não ousando chamá-lo à atenção, Domingos retirou-se tristonho. Interrogado depois por seus pais sobre o motivo daquela estranha atitude respondeu: “Não me atrevo a sentar-me à mesa junto a uma pessoa que inicia a refeição como um animal”.

Douglas Rodrigues- 3ª Série – Colégio Arautos do Evangelho


Má Confissão

Conta o Pe. Fusignano que certo homem por muito tempo mantinha péssimos costumes, mas sempre encontrava um Sacerdote que o absolvia. Sua esposa, senhora piedosa, chorava e lamentava-se por isso, ao que o empedernido respondia: “Mulher, não seja louca, deixe de bobagens, se fosse algo tão grave o Padre não me absolveria”.

Caminhou abraçado à sua desonestidade até o túmulo…
Entretanto, após a sua morte, ele apareceu à sua mulher, todo envolto em chamas, sendo carregado por um outro personagem, do mesmo modo coberto pelo fogo. Ambos tinham aspecto horrível e exalavam nauseabundo odor.

Daquela macabra cena a pobre coitada ouviu sair uma voz, parecida com a de seu falecido esposo, mas já muito deformada e de timbre horripilante: “Estou condenado por não ter deixado a ocasião de pecado, e este que me carrega é o meu confessor, que apesar de eu não estar em estado digno para tal, me absolvia”.

Não joguemos pérolas aos porcos, saibamos bem aproveitar este divino presente que é o Sacramento da Confissão, e façamo-la bem. Fujamos das ocasiões de pecado, e jamais nos obstinemos nas vias do mesmo, pois a punição dada por Deus àqueles que brincam com sua misericórdia é crudelíssima, infinita e justa.

Lucas Garcia -1° ano de Filosofia – Seminário dos Arautos do Evangelho

O cavaleiro que chegou atrasado

Terminada a Santa Missa logo pela manhã, Fernán González, conde de Castela, retira-se do Santuário de São Pedro de Gormoz com os seus soldados e, partiram a cavalo, sob um tórrido sol, para o vale de Cascajaves, onde acampavam as tropas mouras. Porém, nem todos o fizeram. Enquanto os soldados galopavam rumo a Cascajaves, um dos mais valorosos cavaleiros castelhanos, chamado Fernán Antolínez, profundamente religioso, permaneceu ali, pois tinha o costume de se recolher, desde o romper da aurora, até o momento em que houvesse terminado a última Missa.

Passadas algumas horas, enquanto Fernán González travava um encarniçado combate, Antolínez continuava no santuário, sendo continuamente chamado aos brados pelo seu escudeiro que assistia à batalha do umbral da igreja, impaciente por não estar na peleja e indignado por pensar que seu senhor não comparecia a ela por covardia.

Fernán Antolínez nem sequer dava atenção aos apelos de seu escudeiro e assistia devota e atentamente ao Santo Sacrifício do Altar, enquanto católicos e mouros cruzavam ferro com enorme estrondo.

Entretanto, ninguém notou no combate a ausência do devoto cavaleiro. Pelo contrário, admiravam-se os cristãos das grandes proezas que Fernán Antolínez fazia no campo de batalha. Viram-no inclusive apoderar-se da bandeira inimiga, desmoralizando os adversários e conquistando, assim, mais uma vitória para a Cristandade castelhana.

Terminado o combate, procuravam-no para felicitá-lo pelos seus heróicos lances, mas não conseguiam encontrá-lo. Soube-se afinal que Fernán Antolínez estava na mesma igreja, confuso e envergonhado por não ter ido à batalha. Para lá foram os castelhanos e, vendo que o cavaleiro estava ileso, perceberam o portentoso milagre com que Deus quisera recompensar o fiel Antolínez. Ajoelharam-se para agradecer o estupendo prodígio, mas, eis que um novo milagre ocorre, para surpresa de todos. O nobre guerreiro viu abrirem-se inúmeras chagas em seu corpo e o seu sangue escorrer pelo chão da capela.

Maravilhado, ele também com o fenômeno, ajoelhou-se junto com Fernán González e os seus, e louvaram Jesus e Maria por tão grande triunfo alcançado.

Rodrigo Portela -3ª Série – Colégio Arautos do Evangelho

O Cavalo “Enorme”

A criança apetente do maravilhoso – e, por isso mesmo, apetente de Deus – tende para aquilo que é mais excelente. Pode ser que, depois, pela desordem própria à natureza humana, ela abuse dessa tendência e tenha a mania de possuir certas coisas, mas esse primeiro movimento, pelo qual o homem deseja o melhor e o que mais lhe convém, é em si reto! E, por causa disso, a imaginação da criança é muito fértil e ela facilmente atribui aos seus brinquedos qualidades que estes não têm. Esses movimentos existem nas almas de todas as crianças e fazem o maravilhamento da infância.

Eu possuía um brinquedo comum: era um cavalinho de pano posto sobre rodinhas com eixo de metal e com uma pequena fita pela qual eu podia puxá-lo. Para os meus braços, era um cavalo muito grande e eu tinha inclusive certa dificuldade para movimentá-lo. Então, eu o chamava de “Enorme”.

Durante a viagem, de vez em quando eu falava sobre o “Enorme”, E, quando voltamos, eu disse:

“Quero o meu ‘Enorme’!”

Lembro-me como se fosse hoje: levaram-me para o quarto do andar térreo da casa, no qual havia um armário trancado, onde haviam sido guardados os brinquedos das três crianças da família. Abriram-no e tiraram o “Enorme”. A minha primeira reação foi de exclamar:

“Esse não é o ‘Enorme’!”

Duas ou três pessoas em torno de mim deram risada, afirmando ser o “Enorme”.

E, de fato, era terrivelmente parecido… Mas para mim era muito inferior! Qual a razão?

Eu tinha crescido e o “Enorme” tinha deixado de ser enorme… Mas, por outro lado, ficando mais velho eu notava tratar-se de um boneco de pano, enquanto que antes da viagem eu o via quase como um ente vivo. Portanto, eu tinha atribuído ao “Enorme” algumas qualidades que um cavalo devia ter e que um boneco não podia ter. Eu estava, no fundo, à procura de alguma coisa que transcendesse: era o cavalo vivo!