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O CORAÇÃO QUE NOS AMOU ATÉ O FIM

………… Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

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Ao considerar a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, corremos o risco de ficar muito aquém do tesouro de bondade e misericórdia que essa forma de piedade coloca à disposição dos fiéis. Porque o Coração de Jesus é o tabernáculo mais autêntico e substancial das três Pessoas da Santíssima Trindade e, em consequência, não há melhor meio de adorar o Pai, o Filho e o Espírito Santo do que através d’Ele.

Com efeito, o Sagrado Coração de Jesus, invocado na ladainha que Lhe é dedicada como “unido substancialmente ao Verbo de Deus”, abarca de maneira insondável ambas as naturezas de Cristo: a humana e a divina. Assim, com toda propriedade, é por seu intermédio que Deus entra em contato conosco, respeitando as nossas proporções e apresentando-Se ao nosso alcance de maneira a nos inspirar confiança.

E reciprocamente, adorando a Deus através do agrado Coração, utilizamo-nos do altar mais privilegiado, supremo até, para nossas orações ascenderem ao Céu de maneira a serem aí recebidas com absoluta complacência.

Nossa Senhora do Sagrado Coração

Símbolo por excelência do amor infinito de Deus pelos pecadores e a mais comovente manifestação de sua capacidade de perdoar, abrir-se à misericórdia que d’Ele dimana constitui uma segura fonte de salvação, porque, como acentua o Papa Pio XII: “Só Aquele que é o Unigênito do Pai e o Verbo feito Carne ‘cheio de graça e de verdade’ (Jo 1,14), tendo descido até os homens oprimidos de inúmeros pecados e misérias, podia fazer brotar de sua natureza humana, unida hipostaticamente à sua Pessoa Divina, um manancial de água viva que regasse copiosamente a terra árida da humanidade, transformando-a em florido e fértil jardim”. ⁽¹⁾

DEUS NOS AMOU DESDE TODA ETERNIDADE

Para melhor avaliarmos a extensão e o valor desta caridade consideremos ser ela eterna e não circunscrita no tempo. O homem pode sentir afeto ou repulsa apenas por objetos cuja existência conhece. Com Deus, entretanto, o fenômeno dá-se de forma diversa. Ele, afirma São Tomás, “conhece todas as coisas, não apenas as que existem em ato, como também aquelas que estão em sua potência ou na potência das criaturas. […] Seu olhar recai desde toda eternidade sobre todas as coisas, como estão em sua presença”. ⁽²⁾

Assim, o Criador nos amou de modo incalculável muito antes de dar-nos a existência. Considerando o mundo dos possíveis divinos, escolheu-nos a cada um em particular, tendo-nos presente em sua Redenção. Pois, acrescenta o Doutor Angélico, “embora as criaturas não tenham existido desde toda a eternidade, senão em Deus, entretanto, por terem existido em Deus desde toda a eternidade, Ele as conheceu desde toda a eternidade em suas próprias naturezas; e por isso mesmo as amou”. ⁽³⁾

UMA LUZ PRIMORDIAL PARA CADA CRIATURA HUMANA

Ora, sendo Deus o Supremo Bem, ao amar um ser projeta sobre ele algo de sua Suma Bondade, pois “o amor de Deus infunde e cria a bondade nas coisas”. ⁽⁴⁾ Assim, foi dado a cada criatura humana o dom de refletir algumas das infinitas perfeições d’Ele de um modo irrepetível, inconfundível e próprio. E toda a vida espiritual da pessoa vai se ordenar com base nessa dádiva concedida por Deus para capacitá-la a, de alguma maneira, contemplá-Lo e espelhá-Lo já nesta Terra.

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⁽¹⁾ PIO XII. Haurietis Aquans, 17.
⁽²⁾ SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. I, q.14, a.13.
⁽³⁾ Idem, ibidem, I, q.20, a.2, ad.2.
⁽⁴⁾4 Idem, ibidem, a.2, resp.

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(Transcrito de “O Coração que nos amou até o fim”, revista Arautos do Evangelho, nº 126, junho de 2012, p. 11-12)

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