Mais do que muitos pensam

Há um século e meio, aos 8 de dezembro de 1854 o Beato Papa Pio IX, proclamava o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, para o regozijo de todo orbe cristão.

Sublime prerrogativa esta, a de ser preservada de toda mancha!

Se analisarmos mais detidamente, veremos que este dogma encerra não só um aspecto negativo— ter sido Ela concebida sem pecado — mas também, necessariamente, o aspecto positivo: Maria foi concebida em graça e, como afirma o Concílio Vaticano II, foi “enriquecida, desde o primeiro instante da sua Conceição, com os esplendores duma santidade singular”. (1)

A MAIOR PLENITUDE CONCEBÍVEL ABAIXO DE DEUS

O Espírito Santo habitou n’Ela desde o início de sua existência, enchendo-A de seus dons, virtudes e carismas com tanta abundância, conforme ensina o Beato Pio IX: “Ela possui tal plenitude de inocência e de santidade que, depois da de Deus, não se pode conceber outra maior”. ⁽²⁾

É a essa plenitude de graças que faz referência o Arcanjo Gabriel na sua saudação: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1, 28).

Enganar-se-ia quem objetasse que o fato de Maria Santíssima estar repleta de graças não significa que já o estivesse antes do anúncio do Anjo. Portanto A imaginasse como uma moça boazinha, com suas falhas e defeitos, que foi repentinamente tomada pelo Espírito Santo no momento da aparição de São Gabriel.

Essa hipótese, entretanto, repugna o nosso senso católico e contradiz os princípios da Mariologia. Conforme explica um renomado teólogo do século XX, a doutrina de que a graça inicial de Maria fosse superior à de todos os Anjos e Santos reunidos é “completamente certa em Teologia”. ⁽³⁾

Para explicar essa afirmação, outro teólogo contemporâneo aduz diversos argumentos, entre os quais o seguinte: “Como o ser preservada de pecado não é outra coisa senão possuir a graça santificante desde o princípio da existência, e como Maria foi preservada de modo singularíssimo do pecado original, segue-se claramente que desde o princípio esteve cheia de graça”. ⁽⁴⁾

Especialmente esclarecedora é a explicação de São Tomás. Argumenta ele que “quanto mais próximo está alguém do princípio, seja qual for o gênero, mais participa de seu efeito”. ⁽⁵⁾ Ou seja, assim como quem se coloca mais perto do fogo mais se aquece, quanto mais uma alma se aproxima de Deus tanto mais participa de seus dons. E conclui: “Ora, a Bem-Aventurada Virgem Maria foi a que esteve mais próxima de Cristo segundo a humanidade, pois foi d’Ela que Cristo recebeu a natureza humana. Eis por que Ela tinha de obter de Cristo uma plenitude de graça maior do que as outras pessoas”.

É justamente essa proximidade de Cristo, pela sua predestinação como Mãe de Deus, que explica a plenitude de graças de Maria Santíssima desde o primeiro instante de sua Conceição.

PODER DE SUA INTERCESSÃO

Nossa Senhora tem, como vimos, a maior plenitude de graças concebível abaixo de Deus. É ainda a Mãe do Redentor e co-Redentora Ela mesma; é nossa Mãe de fato — pois Jesus no-La deu por Mãe pouco antes de expirar na Cruz: “Eis aí tua Mãe” (Jo 19, 27). Cabe a pergunta: como não confiar n’Ela de modo pleno, absoluto?

Por isso, diz um verso do século XVI, dirigido a Nossa Senhora:

Deus para nós te fez Mãe sua

Confiado a Ti vou

Pois o que é meu remédio,

é gloria Tua.

v

¹⁾ CONCÍLIO VATICANO II.Lumen gentium, n.56.

²⁾ PIO IX. Bula Ineffabilis Deus.

³⁾ ROYO MARÍN, OP, Antonio. Jesucristo y la vida cristiana. Madrid: BAC, 1959, p.224.

⁽⁴⁾ ALASTRUEY, Gregorio. Tratado de la Virgen Santísima.3.ed. Madrid: BAC, 1952,p.261.

⁽⁵⁾ SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. III, q.27, a.5.

Idem, ibidem.

(Condensado e adaptado do artigo “Em graça concebida”, de autoria do Diácono Felipe Garcia Ria. EP, na revista “Arautos do Evangelho”, nº 151, de julho de 2014, p. 36-37.

Ilustrações: Arautos do Evangelho, Vitor Domingues, Sergio Holmann

Aparência e realidade

As aparências enganam — é um dito da sabedoria popular, tantas vezes confirmado no nosso dia a dia. Este dito seria válido para quem tivesse a alegria e a graça de conviver com Jesus?

Mesmo com base nos Evangelhos as respostas podem ser desencontradas: para uns Jesus era apenas “o filho do carpinteiro”, para outros era o Messias tão esperado, o Filho de Deus.

O artigo do Mons. João Clá, fundador dos Arautos do Evangelho que transcrevemos condensadamente a seguir pode bem esclarecer o assunto.


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Testemunha ocular?

Por razões várias precisei permanecer na sala de espera de uma faculdade. A sala tinha esta característica — talvez não desejada pelo arquiteto—: dela ouvia-se claramente o que era lecionado numa sala de aulas.

Tinha levado um livro para ler, mas, aos poucos a ênfase com que falava e o assunto exposto pelo professor desviaram minha atenção do livro para a aula. Continue lendo Testemunha ocular?

O Rosário e o Reino de Maria

Nas aparições de Fátima, Nossa Senhora pediu aos três pastorinhos que fosse diariamente rezado o Santo Rosário. Que tesouros encerra esta devoção para ser tão do agrado de Maria Santíssima?


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São Francisco, Fundador

São Francisco de Assis é dos Santos mais conhecidos e venerados na Igreja, e a justo título. Há um aspecto que, de tão óbvio, não é comentado: é ele o Fundador de uma das maiores famílias religiosas da história da Igreja, os franciscanos.

Qual o papel de um Fundador numa ordem religiosa? Por que a Igreja tem em tão alta consideração a missão dada por Deus aos Fundadores?

O trecho de um substancioso artigo publicado a seguir responde a estas e outras perguntas. Continue lendo São Francisco, Fundador

A inocência

Lendo as memórias de um famoso general francês de séculos atrás, deparei-me com essa curiosa afirmação: “Quando criança eu brincava de soldado em cavalos de pau sentia-me mais dentro do heroísmo do que hoje montando cavalos de verdade e comandando exércitos”.

À primeira vista dir-se-ia que o contrário seria verdade. Entretanto os melhores estudiosos da psicologia infantil afirmam isso.

Parece muito a propósito transcrever aqui o que diz o Mons. João Clá Dias, fundador e Superior dos Arautos do Evangelho na introdução dos comentários ao Evangelho da Epifania do Senhor.

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O que queres de mim?

Conta-se de certo filósofo grego tornado famoso pelas suas máximas de sabedoria, que, embora pagão, seu estilo de vida calmo, em harmonia com a natureza —em nada poluída pelos desvarios modernos — possibilitava-lhe cogitar de temas elevados. Tornara-se deste modo um ponto de atenção e até de admiração da sociedade da época.

Entretanto — diríamos em um português arcaico — “eis que se não quando”, ou seja, certo dia…


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Por que Deus permite o sofrimento?

No decorrer de uma palestra um jovem — aliás, bem jovem — perguntou ao Mons João Clá: (*)

Monsenhor, Deus nos chama para sermos eternamente felizes. Por que nesta terra, entretanto, ele permite sofrimentos?

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Não é preciso ser nenhum Sherlock

Certas figuras de ficção atravessam gerações. Uma delas é Sherlock Holmes, o perspicaz detetive inglês.

Ficou famoso pela capacidade de deduzir certezas a partir de vestígios insignificantes: pelo fato de determinada porta estar trancada, haver um pouco de cinza de cigarro num canto, ou outros detalhes, Sherlock podia chegar à solução de casos indecifráveis.

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Justiça ou perdão?

Que estamos num mundo cheio de injustiças é quase dizer o óbvio. O grande risco é, à vista disso, esfriar-se na alma de muitos a vontade de perdoar. Especialmente quando esses atos se voltam contra nós.

As palavras a seguir, de autoria do Monsenhor João Clá Dias, EP, fundador e Superior dos Arautos do Evangelho, pode ser de utilidade para muitos de nossos visitantes. Continue lendo Justiça ou perdão?